Opinião, eu tenho algumas!

Chico Oliveira Blog Opinião, eu tenho algumas!
Opinião, eu tenho algumas!

Música, um loteamento de todos nós!

A música é uma das áreas do conhecimento (podemos assim dizer) que mais sensibiliza a capacidade em emitir "opinião" das pessoas. Em cada esquina do planeta, é possível ser encontrado um crítico musical.

 

Quando há algum acontecimento na área econômica, é de praxe a chamada pelos meios de comunicação de um economista para comentários mais estruturados.

Nos crimes de maior repercussão, chama-se alguém do judiciário e/ou um psicólogo, ou seja, quem tem entendimento técnico para comentar; perfil psicológico do(s) criminoso(s) ou as prerrogativas jurídicas...

Quando o assunto é esporte, em geral chama-se um jornalista especializado na área e/ou um ex-atleta etc. Mas na música...Ahhh! A música...não há terreno que mais possa ser loteado por qualquer "transeunte" quanto a música! Todos podem discorrer sobre mercado musical, arranjos, cantores, bandas, instrumentistas, canções, expressão corporal, afinação etc. Desde as rodas informais de amigos, até o noticiário de maior alcance no país.  

Exatamente no carnaval, essa "expertise" coletiva na crítica musical mais se aflora.
É um potencial enorme que temos em comentar qualquer coisa, só pra não ficar com a boca fechada.
As "cerejas do bolo" ficam por conta dos argumentos; " Eu não gosto dela porque é muito 'assim'..."."Ele se tornou um orquestrador e tanto da música que temos". "Eu o considero a grande persona da capacidade transformativa que a música da Bahia vem passando nos últimos quinze anos". "Esse grupo não executa mais o repertório com tanto apuro técnico".

E a "profundidade" de "tigela" passa se fazer presente em ciclos intermináveis de verborragia. Lamentável!

A gravidade aumenta, quando o(a) comentarista é do meio "artístico" (Me tornei tão cético com relação às  palavras "arte" e "artístico"!), e se aproveita da oportunidade em se expor com grande alcance e desanda a "participar", não mais como comentarista mas como "protagonista", construindo "verdades" e olhares bastante questionáveis junto àqueles que não necessariamente precisam se debruçar sobre a confirmação de informações.

A mensagem é o importante

Talvez, não fosse necessário para cumprir função de comentarista artístico, um acadêmico, mas apenas alguém com notório saber, experiência na área, "anos de janela", que pudesse decodificar com maior alcance possível, de forma simples e objetiva os processos artísticos (quando houvesse pertinência!), o contexto em que eles podem ocorrer, a conjuntura em que ocorrem e, sobretudo,  boa articulação de ideias.

 

E que pudéssemos discordar de tudo que esse especialista tivesse a dizer, mas no campo de ideias pertinentes e estruturadas e não na tentativa de erro e acerto, apenas para não se render ao silêncio.

A discordância fundamentada e respeitosa, sempre é enriquecedora em qualquer área do conhecimento.

Superego ou super ego?

Fico sempre pensando que a música, por ser um "elemento" da natureza com o qual temos tanta proximidade, intimidade e até mesmo representatividade, nos licencia de forma tão inconsciente para discorrer sobre ela, que ultrapassamos os limites da nossa censurada interior, aquela a qual a psicanálise chamou de "superego".

 Na música, não acontece aquela coisa assim:  "O prédio caiu mas não se sabe ao certo se foi um erro de projeto, ou alguma alteração no solo etc.  Só um perito pra avaliar".
Não, na música esses limites não ocorrem. Sempre há quem possa "explicar" extensamente com a profundidade de uma tampinha de garrafa qualquer coisa, e aí se misturam as preferências pessoais, o preconceito frente ao que não se entende ou ao desconhecido, e por aí se vai.

Sinto falta de crítica especializada, por quem realmente sabe do que está falando.

Ser livre pra pensar e o "pensar" para ser livre

O exercício do livre - pensamento, de forma tão desrespeitosa com a audiência, como é feito por muitos meios de comunicação, no meu entendimento, é tão nocivo ao momento histórico - cultural que vivemos que reforça a construção de uma muralha entre entretenimento e arte, duas "manifestações" de uma sociedade que não necessariamente precisavam viver tão distantes, como temos visto.

A sinceridade me interessa

Esse panorama, no qual podemos contemplar a guerra entre a informação consciente e a conveniente, me faz lembrar sobre uma reflexão que sempre me ocorre - Há dois tipos de expressão "artística": a com e a sem sinceridade. Muitas das com sinceridade me interessam!

 

E você, opinião, tem alguma?

 Chico Oliveira

Este texto foi originalmente publicado em 03 de março de 2017.

 
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